quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Tudo

De tudo o que eu digo
eu me aproprio.

E do que vejo o tempo todo
quase sempre me esqueço.

Se o que me falam entra pelo ouvido
o que não presta, sai pelo outro.

Quem não conta consigo
não conta com ninguém.

Sinto cansaço milenar
e o peso do mundo nas costas.

2005

Vem

Não me adianta poder
falar e ser
condenado à mudez.
Você não sabe
o quanto isso me deixa
mal.
Então vem,
abre os meus poros
sem medo
do que vão falar.
Porque estou
na sua
vida.
É aí onde quero
estar.
Como seria diferente
se com você
sinto
paz.
Quero que você saia
da margem
porque vou
me lançar
no seu mundo.
Então só
diz
que te amo,
me deixa
ansioso,
isso
é
pouco.

2013
O que de mim é reflexo e nem assim decido se posso
E essa estranheza que me trouxe bem mas me quer partido
Quanto descanso que trouxe momentâneo alívio
E ao sair deixou-me ralo, inconsistente e acabado
E de que mais posso falar?
Ontem a chuva arrastou dezenas de pessoas
O asfalto cedeu e formou um barranco
E aqui a urgência de me sentir vivo

2004
Não espero o teu perdão
Nem aquele que lhe dei
Porque a ti dei meu perdão
E você não o devolveu

Deixar de abrigar tanto ódio
É tão difícil quanto largar um vício
Dia chegará, nos abraçaremos sem rancor
Depois de uma noite trágica, sôfrega de dor

O mal e o bem são iguais
Quando o queremos igual
E vivem irmanados, entre nós, entrelaçados
Porque é do ser humano

O resto é estar aqui
Tanto ódio assim envenena
A alma, teu corpo
Teu coração todo se turva

Morde os lábios que te abrigam
Beija-os com cupidez
Amor e ódio podem ter preço
Mas o coração só se rende ao querer
Plantei uma semente de querer
Para o desejo vingar
E assim encontrar o amor
E nos irmanarnos juntos
Puros como uma plantinha que vinga
Crescer envolto da terra revolta e macia

2011

O que mais

O que de mim é reflexo e nem assim decido se posso
E essa estranheza que me trouxe bem mas me quer partido
Quanto descanso que trouxe momentâneo alívio
E ao sair deixou-me ralo, inconsistente e acabado
E de que mais posso falar?
Ontem a chuva arrastou dezenas de pessoas
O asfalto cedeu e formou um barranco
E aqui a urgência de me sentir vivo

2005


Que posso dizer mais
que doeu?
Então eu amadureceu
cresceu
morreu
Deu seu lugar
pra mim
Alguém tão perto
sem que soubesse
Assim, completo
posso esperar por você
Num dia como esse
Para sermos gente no plural
Todo dia é a mesma luta
Insisto em ter esperança
Por falta de opção

É pra rir


2012