quarta-feira, 19 de junho de 2013

O século de ouro

      O menino colocou a última pedra sobre o chão pedregoso recém revolvido. “Foi a decisão dela. Agora estou sozinho, mãe. Aos menos te deram a honra de ser sepultada e sua carne, sagrada pra mim, não ser comida pelos abutres até apodrecer. Este será o nosso segredo”. As poucas pessoas se afastaram sob o sol forte, o chão soltava fagulhas de volta para o céu. Todos calados, cabisbaixos, não olhavam mais o rapaz. Quando se dispersaram da necrópole em direção aos portões da cidade, uma moça de cabelos longos respirou fundo, olhou para trás e voltou. Seus cabelos estavam soltos e sujos da terra. Pegou o irmão pelo braço e puxou-o com firmeza mas com carinho. Ela estava resignada e não esperava nada melhor desde muito. Ele fervia por dentro como só Hades poderia saber.
- Você não vê que não adianta?
- Ela ainda falou comigo um pouco antes...
- Vamos voltar, anda. Teu senhor te espera.
- Vai embora! Você é uma egoísta, só pensa em você mesma!
       A moça olhou séria, pressionou os lábios e deixou-o com seus pensamentos. Afastou olhando para o chão, olhava para frente de vez em quando até os pórticos da cidade solidificarem no seu portentoso tamanho. “Cada um fez a sua escolha, eu tentei”. Quando chegou às portas da cidade olhou para trás e ele ainda estava lá, uma imagem longe e escura, sentado no chão olhando para cima, para o céu azul. Agora aquela pequena sombra lhe parecia um vulto sinistro. Abutres voavam em círculos no éter sem nuvens. Um casal a esperava, abraçou-a e a levou para dentro dos muros de pedra.
- Vou me vingar da sua partida tão cedo, mãe. Por Palas, a quem a senhora me confiou, eu vou.
       Não conseguia mais chorar, os olhos ardiam. Tentava e nada saia. Não era época de chuva nos dias de Hera. Palas de Atenas vinha por alguns momentos e parecia o fim do mundo entretanto depois se recolhia e tudo voltava ao normal. O sol crestava aquela terra de ninguém do ponto mais alto. Ele voltou as costas à mãe. Ele vai me pagar, juro que vai.
Passou pelo pórtico, pelos vendeiros, pelos sacerdotes, pelos servos do palácio e entrou na construção sólida. Sentiu-se menor ainda dentro daquela construção avantajada. Apoiou a mão numa das colunas alvas e olhou para os olhos azuis de Zeus. Brilhavam plácidos. “Olhos que não me dizem nada. Parecem com os dele. Para mim acabou”. Caminhou pelo mosaico de quadrados negros e brancos que levavam a outro aposento. Esgueirou pelos corredores dando lugar às servas com seus jarros, chegou noutro grande aposento e se jogou numas almofadas escarlates no canto mais afastado. Os outros meninos não ousaram olhar para ele. Só quero dormir.
      Teve sonhos. Presságios? Era abraçado pelos pais tão novos, brincava com miniaturas. A cada vez que olhava para o rosto deles pareciam diferentes, mais velhos. Sim, havia já cabelos brancos e vincos profundos por detrás de seus sorrisos. Uma outra mulher olhava para ele. Sentiu que tocaram seu ombro pelas costas. Ela tomou seu pescoço e beijou sua boca enquanto afagava os primeiros pelos que cresciam no seu peito viril. Depois foi embora. Então mordeu algo duro, uma chave. O chão começou a sacolejar e uma fenda se abriu no penhasco. Chamou pelos pais, sua voz era de um homem mas não saia da boca. Correu despenhadeiro abaixo apertando nas mãos uma figurinha de terracota, um boi. Alguém soprava nos seus ouvidos insistentemente e não era o vento forte varrendo tudo.
- Acorda garoto. Você tem de comer alguma coisa ou vai ficar doente. Hoje a noite é sua, faça o que quiser contanto que não saia dos arredores e não se aproxime da ala real. Mas esteja bem amanhã.
- Me deixa, quero dormir.
- Você já dormiu demais. Vai ficar sem sono, rondando os corredores de madrugada. A rainha já te viu uma vez e reclamou às aias.
- O quê me importa? Quero dormir.
- Você não é agradecido a ninguém. Se quer chorar, chore. Depois que se cansar lembre dos que tiveram destino pior. Ninguém foge das moiras.
- Sou diferente, eunuco, eu posso. Agora vai e me deixa aqui.
- Então durma se quer assim. Quando quiser conversar me procure.
      O homem, de seus trinta e poucos anos, levantou; antes cobriu o garoto com uma manta. Apalpou sua fronte avermelhada e quente. Parece ter febre. “Vou mandar uma serva dar néctar de abelhas ao garoto. O rei vai ficar satisfeito comigo. Passei pelo mesmo, entendo o fedelho mas ele precisa crescer. Precisa de pulso firme. Se crescer desse jeito terá o mesmo destino do pai dele. Afrodite sabe o quanto eu o protegi. O quanto pude. Os outros também precisam de mim e me dão menos trabalho”.
- Se não fosse esse temperamento tão difícil.
       O sussurro não foi ouvido por ninguém, já estava escuro e a lamparinas mal iluminavam o caminho. As estátuas pareciam figuras do além. O grande general volta amanhã, com honras de vitórias. Deve querer descanso e eu também quero. Não vou permitir que esse jovem tolo estrague o meu trabalho. Sentiu algo frio escorrer pelas costas e não tinha ninguém atrás dele. Voltou aos aposentos, o menino dormia. “O escuro nunca me deu medo”.
Quando Evandro acordou era bem cedo. O carro de Hélio ainda mal principiou a subida no horizonte. Foi para o lugar de comer. Aos poucos chegavam outros servos e meninos juntavam-se perto dele. Comeu calado e não olhou para os lados. O som de harpas já flutuava pelos corredores mas aquilo não lhe dava mais prazer. Uma mulher velha e rotunda afagou seus cabelos anelados e deu um pedaço de pão e uma vasilha de leite de cabra. Ele tinha olhos brilhantes e quis que ela o abraçasse.
- O quê quer meu menino? Quer uma fruta?
- Eu... eu não, estou satisfeito. Não quero nada.
- Rapazes sonhadores... Uma sombra azul já mancha o seu rosto. Tenho um filho da mesma idade que a sua. -
       A escrava deu um beijo na testa dele. O colo dela cheirava a alabastro.
Maquinalmente saiu do palácio até a sombra de um árvore onde um ancião explanava a outros jovens sobre as ciências. Mais tarde teria equitação. As aulas preenchiam quase todas as horas da manhã. Será que meu pai teria vergonha de mim agora? Ouviu a preleção sobre plantas exóticas e da terra, a matemática dos orientais, as táticas de guerra, normas de tratamento quanto às mulheres. Ele fixou os olhos no pergaminho desenrolado de uma das hastes e as letras dançavam na frente dos olhos dele, ficavam fora de foco. Se recompunham, formavam outras palavras. “Que droga! Não pedi nada disso, estava feliz na minha casa com meus pais e meu irmãos até o exército dele chegar!” Sentiu remorso por não escutar o pedagogo. Quando ele veio ver o que marcava sobre a tabuinha de cera com o estilete apertou o braço dele. Abraçou o homem velho e chorou.
- Ora rapazinho, homens não choram. Mas deixe os humores saírem do seu jovem corpo e vai se sentir mais leve. Vamos, leia o que escreveu para mim.
- Peço permissão para sair senhor.
- Não desperdice o tempo nem as oportunidades. Lembre-se de agarrá-las pelos cabelos quando estiver na sua frente. Depois não terá mais nada para agarrar. Só vai ver o rosto dela pelas costas te olhando.
- Preciso sair. Desculpe professor mas as palavras o vento leva.
- Palavras escritas, não. Não se alguém ainda puder lê-las, hoje ou daqui a milênios.
- O senhor tem razão.
- Evandro, vá ver o rebanho pastar e aprenda algo observando-o. Conte-me depois o que viu, está combinado?
      Assentiu com a cabeça e saiu sem saber para onde se evadir.
De tarde dedilhava a cítara para esquecer que fugiu das aulas de equitação mais cedo. Por isso não pode comer. Puxou uma corda de cada vez. Foi percorrendo a escala enquanto uma mão descia e outra subia o instrumento. Desta vez quando ver o senhor de novo vou agir. Enquanto o uníssono das cordas desaparecia no ar lembrou de que há pouco nos dias da constelação do pelego de ouro completou 14 anos. Ele é bom comigo, nunca me machucou, mas é sujo. Ele vai ver do que um homem é capaz para defender sua honra. Puxou as cordas com precisão.
      Assim que abriu os olhos do sono da tarde viu que todos já tinham saído. O grande dia da chegada do rei e seu exército. Passava longas temporadas fora mas parecia estar sempre presente. O lugar era chamado de república pelos sábios e por ele. Que diferença isso faz... se continua a ser chamado de rei. Todos respeitavam-no. Vestiu a túnica branca de qualquer jeito e correu para o salão de entrada. Desta vez não se deteve no corredor para olhar as estátuas que ladeavam o caminho. Cada uma com sua história. Não relanceou nem mesmo à preferida, a do matador da górgona. Os olhos daquela bela cabeça de mulher eram belos embora as serpente verdes fossem tão repelentes que pareciam vivas. Era o deus que mais admirava. Queria também ter um pégasus e sair dali para outras paragens. Chegou sorrateiramente e se uniu ao grupo semelhante a ele. Que sorte! Ninguém sentiu minha falta.
- Não sabe mais se vestir neném?
- Não tive muito tempo para dispor das vestes. O que foi Filipe?
- Deixa eu ajeitar o alfinete da túnica aqui no seu ombro, está torta.
O tutor virou-se de lado, retirou o alfinete e o recolocou por entre o tecido. Tocou o pescoço do menino com um de seus dedos e não o tirou.
- Tira as mãos de cima de mim seu velho imundo!
Apesar da confusão do salão alguns olhavam de lado e pediam silêncio porque o rei já ia falar a todos.
- Calma aí, rapaz! Se não se comportar e me obedecer volta agora para o dormitório.
- Cala a boca!
- Calado você!
- Vai fazer o quê? Vai invocar sua deusa,  seu nojento?
      Afastou-se do preceptor e ficou empertigado num canto olhando firme para longe. Quando a respiração arrefeceu seu orgulho juvenil olhou os vários grupos espalhados pelo amplo salão. Ficou encantado com os soldados sacudindo suas longas cabeleiras louras. Falavam alto e riam contando as glórias do último combate em terras distantes ao norte. O rei não gostava de guerras mas procurava se defender, igual aos outros. Quero ser um deles quando crescer. Mas foi desse jeito que o senhor invadiu as terras onde eu vivi e meu pai morreu em combate. As lanças, os elmos, os escudos de bronze, os pelegos que cobriam seus corpos bronzeados. Um grupo de vários estrangeiros falavam numa língua desconhecida ao lado. Discutiam em voz alta e bebiam vinho. Jovens belas passavam com vozes de naiades, aquelas estranjeiras portavam jóias de resina feitas de âmbar. Houve uma na casa do seu pai. Muitos nobres recostavam-se em divãs disfrutando as carnes trazidas pelos servos.
A rainha entrou primeira. Madura e altiva, vergava uma túnica violeta. Pouco falava, só ouvia e sorria, entre uma frase e outra, matendo um olhar aquilino ao redor que ocultava sob um semblante sério.
- Pega o copo de vinho, Evandro! Quem sabe Dioniso não te dá melhores conselhos que o líquido amargo que já sai da sua boca.
Bebeu o líquido avermelhado, adocicado, acre e Dioniso primeiro chegou manso e dissimulado. O efeito do vinho ocultava seus pensamentos fragmentados. A música parecia mais ampla. O mundo parecia fazer sentido. Começou a sentir a felicidade da embriaguez. Por fim o rei chegou e ocupou o divã num degrau mais alto quase no centro do salão, à vista de todos. As pessoas comiam, riam, contavam as glórias do imperador, louvavam sua sabedoria. Ele nunca tira o elmo em público, dizem que tem o crânio deformado por uma pedra numa batalha. Só eu e a rainha sabemos da verdade. Sorriu com altivez e andou por entre as pessoas e os divãs de mármore com sua túnica púrpura. Sabia que era observado e isso agradava o seu orgulho. Parou quando o rei levantou e disse palavras de paz entre os povos, louvou aos deuses e convidou a todos para que se divertissem e bebessem o vinho enquanto não acabasse. O rei olhava as dançarinas orientais serpenteando no centro do salão, tocando os convivas com suas vestes coloridas. Músicos sonavam estranhos instrumentos de percursão feito de couro de animais e outro de madeira ou de metais. São tantas cores que não conheço. Ele tem um olhar sábio, bondoso, só eu sei quem ele é.
Atrás dele estava uma Minerva de mármore coberta de cera e de pigmentos coloridos. Seu olhar repousava sobre ele além da cabeça da coruja que ela portava no ombro. A deusa guerreira segurava seu escudo e sua espada com a outra mão e trazia na fronte seu capacete. A ver assim parecia que a estátua o contemplava e que o protegia. Era um apenas um homem pequeno mas era dela. Ele foi vagando entre as pessoas.
      Filipe alcançou o rapaz e puxou-o para o grupo dos rapazes.
- O senhor o quer esta noite. Parabéns seu pirralho mimado, caiu nas graças do rei!
- Você não tem nada com isso.
- São todos assim da terra de onde veio? Toscos e intratáveis? Você já sabe o que fazer.
- Antes de anoitecer completamente estarei nos aposentos real.
- Assim fica melhor. Você é um jovem bonito, Apolo soube te contemplar quando viu a luz do mundo.
- Não toque mais em mim. Você vai morrer escravo e eu não sou igual aos outros.
- Não é mesmo, os outros têm educação. Sabem agradar. Você é um animal. Anda, vai... As mulheres precisam te banhar e ungir com os óleos aromáticos. Não vá me prejudicar.
- Controle-se senhor, sei o que fazer. Você não me interessa.
      No fundo, Filipe do alto de seus trinta anos admirava aquela alma indomesticável. O rei sabia escolher bem. Ele tem futuro.
Evandro já estava sóbrio e antevia o encontro. Mais tarde já estava no leito do rei.
- Fique aí, meu rapaz. De noite o mármore esfria muito.
- Deixa que eu lhe sirva.
- Calma... parece que é sempre a primeira vez. Quer saber? Isso me agrada. Você é o meu preferido. Até a rainha parece nutrir ciúmes de ti, meu caro.
- Desculpe, não pretendi ofender a nobre rainha com minha existência.
- Deixe pra lá, eu a conheço bem. Ela é uma mulher nobre e sabe seu lugar.
Alguém bateu palmas do lado de fora.
- Quem é? É você Aspásia? Entre.
- O nobre senhor deseja algo mais? Deseja que chame as servas ou que eu mesmo o sirva?
- Não, minha senhora. Deite-se e durma cedo. Amanhã teremos muito a fazer. Quero que me dê alguns conselhos sobre decisões a tomar. – A mulher madura perscrutou o quarto amplo, viu o anteparo com a jarra de vinho, as estátuas, o jovem assustado no leito, tudo de um jeito impassível.
- O senhor realmente não deseja mais nada? - Olhou nos olhos do rapaz.
- Deixe-me beijar sua face, antes que Morfeu visite seu sono. Agora vá.
- Há guardas como de costume na entrada do seu aposento. Sendo assim vou me recolher.
     Evandro levantou do leito e chegou a mesa. Serviu o vinho rubro e contemplou a superfície do líquido vermelho. Parece sangue. O aroma da beberagem o sabia com muito prazer. Olhou as largas costas já desnudas do rei. Sentiu um peso nas costas e uma tristeza infindável. “Sim, pai vou cumprir seu pedido”. Apalpou a cintura e por baixo da faixa tirou um minúsculo alforje de couro. Deu as costas ao rei e derramou um pó arenoso de um frasco num dos copos e afastou-o para um canto da salva sobre um arabesco incomum. Seus olhos se refletiram. “Hoje o senhor paga o que me deve”.
Sentiu as mãos grandes e fortes do senhor virando-o pelos ombros já bem largos.
- Vá para o leito agora. Levo o vinho.
O soberano colocou a bandeija no chão, perto da cama.
- Sim, senhor.
     Recostou-se nas almofadas e olhou a fronte ampla do rei. Seus olhos delineados por finas rugas eram duros mas não eram maus. Seu perfil era típico da terra, angular. As barbas encaroladas pareciam esculpidas sobre o rosto circular com arestas angulares. “Sinto-me cansado, nunca me vi tão só. Minha irmã já está salva. Quanto aos outros não há mais o que fazer”.
- Farei de você um grande guerreiro. Lutará ao meu lado e sei que defenderá a minha vida com a sua. Você tem fibra, a mesma estirpe dos teus.
- O senhor é muito bom.
O rapaz aquieceu e olhou para os lados, viu uma nesga negra coberta de estrelas da noite. A lua tinha ido visitar outro canto do mundo. “Onde estaria?”
- Terá a sua mulher e eu mesmo vou escolher. Será uma nobre e esse casamento vai assegurar que esteja sempre próximo a mim.
- O senhor tem razão.
- Repouse essa testa franzida, meu menino. As respostas serão encontradas a seu tempo.
Olhou o fundo dos olhos dele: “Eu odeio você. Tenho nojo do seu cheiro. Odeio a sua mão. Serei condenado ao degredo e nunca conhecerei os Campos Elísios”. No entanto a juventude dissimulava sem esforço o veneno já destilado pela mente dele.
- Você treme. Beba um pouco do vinho, vamos.
     O menino sorveu do copo sofregamente.
 - Agora você é meu.
       Evandro sorriu. “Eu sei. Mas a vitória é minha. Você conseguiu, aquele rato imundo do Filipe vai ficar satisfeito”. Abriu os olhos e viu o rei tirar o elmo. Por instantes viu os olhos de Zeus na frente dos seus.
Ele olhou novamente o rosto do assassino do seu pai, do mandante do assassinato, era igual. Do assassino da mãe dele, do motivador, era equivalente. “Não me lembro mais do rosto do meu pai”. Sentiu as mãos do homem maduro tocar suas orelhas e deslizarem para a nuca. Olhos para os lábios dele antes que se encostassem nos dele. Ele olhou o rapaz com um olhar compreensivo, depois pegou a salva de prata e ofereceu uma taça. Evandro escolheu bem o copo. Esperou o rei beber do dele. Depois sorveu tudo do próprio copo e um calor agradável se espalhou a partir do ventre pelo corpo todo. Fechou os olhos e sentiu outro beijo, a língua do inimigo explorando a sua boca. Afastou-o com uma das mãos. Sentiu um murro na boca do estômago, suas entranhas se queimaram. Ele correspondeu ao beijo.


2011


Fim

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