quarta-feira, 19 de junho de 2013

Poetas

Não há porque cobrar-me amor ou servidão
se vendo só ilusão vã na solidão de ti
cada um dá o melhor o de si. O poeta, a sua pena,
o lavrador, o lavor da enxada, o sábio, seu conhecimento.
Quando o real parecer faltar
o que fará a realidade senão o mito tornado rito?
E cada um se adorna das verdades que o aprouver.
Perdoa-me se te ofereço doces mentiras
ou amargas bebidas nas palavras que a dor atenua,
ou que a excede a felicidade vazia
sem trazer real ganho ou ventura
quando amizade e atenção recebo.
O cristal límpido de uma lágrima,
o luzir nublado de um sorriso.
Meu ofício é tecer sonhos
Onde poderás construir base do teu ideal.
As palavras estão sempre a teu serviço
embora aqui já não mais permanecer.
Tesouro lauto a mim dado, desgraça ou dita?
Faço um mundo de um espectro
e esta malha existe apenas por existir,
enquanto sigo só embriagado de palavras.


(Pequena homenagem a Goethe)

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